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segunda-feira, 17 de setembro de 2012

O Nando e a Musique


Crédito: Facebook Nando Reis Oficial

Outdoors estavam espalhados pela cidade com semanas de antecedência. Os pontos de venda eram muitos, e a quantidade de gente que ansiava pelo show, idem. É que o Nando, apesar da irrelevante baixa estatura, cultiva nome de gigante. Bastava ler seu nome nos cartazes de divulgação, que a vontade de ouvir de perto sucessos como “Sou Dela”, “Relicário”, e “Por onde andei”, deixava qualquer admirador do rock nacional com a certeza de que chegava coisa boa por aqui.

Depois de já ter perdido uns dois shows do ruivo no estado, fui conferir sua apresentação, referente ao “Bailão do Ruivão”, lá na Musique, no último sábado. Talvez tenha até que reconsiderar as primeiras linhas deste parágrafo, afinal, diante do passeio oferecido pelo cantor através do diálogo com canções de pelo menos três últimos álbuns seus, dizer que o show faz parte da turnê de apenas um, soa simplório.

Certamente eu tenha deixado a impressão de que o evento foi, como se adjetiva o tempo todo, “perfeito”. Longe disso. Incrível, o cara é. Se o Humberto, dos Engenheiros, não decide sobre a melhor manifestação do rock’n’roll ser os óculos do John ou o olhar do Paul, eu fiquei a noite inteira pensando se era toda a personalidade do seu 1.60 (talvez menos, talvez mais, já que o google não ajuda), ou o caimento peculiar da irreverente boina que ele carregava. Apesar de tudo, Nando e Musique não fizeram uma combinação satisfatória. 

É sempre difícil explicar precisamente aquilo que está intimamente ligado à emoção das pessoas. Tenho ouvido o tempo todo que o show não poderia ter sido melhor, mas não consigo evitar a sensação de “claro que dava para ser”. Desconfio que seja defeito de alguém que não vê tanta graça em ficar a madrugada em pé, num local lotado, fazendo malabarismos para acompanhar o desempenho do vocalista e dos músicos no palco, enquanto respira fumaça de cigarros e não raro, pela dificuldade de transitar no local, é molhado por bebida alcoólica. Há quem ache o desconforto parte da emoção do evento. Eu discordo.

Quando pago o ingresso por um show, quero ter o direito de contemplar a apresentação do artista. O que significa ouvi-lo sem dificuldade. A acústica do lugar era extremamente deficiente. Quando o som do teclado e da guitarra eram mais intensos, por exemplo, a voz do Nando quase sumia. Mais complicado ainda era quando ele falava entre as canções. Só era possível entender uns trechos do que estava sendo contado.

Apenas algumas frases foram ouvidas posteriormente ao momento em que o ruivo desceu para cantar uma canção junto ao público, no meio do camarote. Com o tumulto formado ao seu redor, voltou para o palco, de onde não saiu mais, explicando que era de costume interpretar as músicas no meio da plateia, e ressaltou que não era necessário puxá-lo, apertá-lo, etc.

Não sei se episódios constrangedores como este ocorrem por que nossa cidade demora para receber turnês de artistas consagrados como Nando, e, dessa forma, os mais calorosos não se contenham, ou, por ambição de empresários que priorizam faturamento à capacidade de público. Fica claro que as (quase) duas horas de show, com conversações fragmentadas, ambiente deficiente em espaço e acústica, me roubaram o comentário positivo. Melhor dizendo, do evento, e não da banda. Diante dos problemas estruturais, somente um artista que canta com a entrega de Nando, para não nos deixar ir embora até que a última canção tenha sido reconhecida, cantada e compartilhada por todo nós.

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