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sexta-feira, 3 de junho de 2011

A volta do RPM



Domingo desses, nas chamadas para o seu programa, o Faustão anunciava a volta do RPM. Ao ouvir o que aconteceria mais tarde, no Domingão, tive a sensação de que aquilo já havia acontecido. Até postei no twitter: De novo?

Perguntando a amigos durante a semana, alguns me disseram ter tido a mesma sensação. Decidi então procurar no google, e descobri que só em 2000 houve cerca de três tentativas. Uma em 2002, uma “reunião” no mesmo Domingão em 2010 (talvez daí a lembrança da chamada nada criativa do Faustão) e agora, maio de 2011.

Tenho lá minha queda por bandas da década de 80, mas confesso que nunca fui admiradora ou mesmo cheguei a prestar atenção no grupo. Até conheço algumas músicas, mas nenhuma de fato veio a ganhar algum destaque nas minhas playlists.

De uns tempos pra cá é que andei pesquisando. A titulo de curiosidade mesmo. Li matérias, assisti reportagens a respeito, mas, nada que me fizesse mudar radicalmente a opinião que mantenho.

Entre idas e vindas, a banda durou pouco mais de cinco anos. Tempo que para os integrantes pareceu infinitamente mais longo, certamente pela quantidade exorbitante de shows, viagens, bebidas, drogas e relações passageiras que marcaram as turnês feitas pelos rapazes.

Foram vários CDs lançados e muitos sucessos emplacados, até que as crescentes brigas e discussões decorrentes do estrelismo pusessem fim em suas carreiras como um grupo. Cada um decidiu trilhar seu caminho separado, inclusive Paulo Ricardo, que em carreira solo, cantou temas das novelas A Usurpadora e Pérola Negra, ambas transmitidas pelo SBT. Em certo momento, eles se deram conta da força/marketing que possuíam juntos, e passaram a discutir uma reconciliação.

Fato que vem se repetindo até agora, ou pelo menos é o que pareceu ser, naquele domingo, onde vestidos de acordo com a década em que estiveram no auge, eles tentavam reproduzir o mesmo frisson existente há cerca de 20 anos atrás. Tentativa de reviver o passado. Foi essa a impressão que a banda me deu ao subir ao palco e cantar grandes hits como olhar 43, rádio pirata e loira gelada.

Não que cantar músicas que os consagraram seja uma atitude negativa ou algo do tipo. Longe de mim querer que isso se faça parecer, mas estou de acordo que as vezes subir ao palco num fim de domingo, com dançarinas tentando coreografar cada verso de canção, e luzes neon em volta, nem sempre é a melhor maneira de se evocar a nostalgia das pessoas, ou mesmo ensaiar uma volta triunfal.

É preciso mais. Dizer algo ao ouvinte para que ele possa entender o motivo de sua volta. Qual tua relação com a música? O que te inspira? O que te emociona? O que tu queres transmitir? Caso contrario, tudo o que parecerás é couvert de si mesmo. Reproduzindo trejeitos que muito mais pertencem a um artista passado, cujo tempo e amadurecimento deveriam fazer não te caber mais.

RPM subiu ao palco naquele fim de tarde, cantou rádio pirata, loira gelada, citou Stéfany de Mônaco, por fim os músicos até prometeram não rimar mais porra nenhuma. Enquanto isso, continuei sem entender o porquê de sua volta.

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