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domingo, 30 de janeiro de 2011

Netinho, o BBB e as celebridades instantâneas que vem e vão o tempo inteiro


O ano começa e como sempre, é hora da Globo levar ao ar mais um de seus programas vazios e sem graça, e que, ainda assim são campeões de audiência, o Big Brother Brasil. E com ele, pouco mais de uma dúzia de pessoas anônimas, que enxergam no reality a chance de se tornar nacionalmente conhecidas, e assim, serem tratadas (ainda que momentaneamente) como estrelas, mesmo sem ter muito o que oferecer para tal conotação.

Tão logo o programa é findado, é hora dos “brothers” correrem para aproveitar as oportunidades que aparecem para que eles possam continuar no círculo midiático. Eventos, anúncios publicitários, ensaios fotográficos... É disso que eles tentam “sobreviver”, enquanto uma nova mulher fruta ou um escândalo possam surgir e lhes roubar a cena.

O tal dos quinze minutos de fama a que se referiu Andy Warhol, onde tais celebridades perdem o brilho com a mesma facilidade e rapidez com que ganharam. Caindo no esquecimento, ou no tal container, tão bem explicado por Bauman, onde a cultura pop de vez em quando vasculha, a fim de reutilizar algumas peças, quem sabe maquiando-as ou trocando selos, para que possa voltar a atrair olhares.

E foi durante minha viagem de férias, numa escala realizada no aeroporto de Campinas, que encontrei uma dessas peças, desajustada e já fora dos padrões, tentando ser puxada por alguém que passasse. Quem sabe, com a esperança de ser salva.

Tratava-se do cantor baiano Netinho. Aquele que fez muito sucesso na década de 90 com hits como “Milla”. No ritmo do axé, ele ganhou fama não só pelo Nordeste, mas, em boa parte do Brasil. Os anos foram passando, suas músicas não mais gerando tanta repercussão, e como parte do mundo pop, não escapou de ser empurrado para dentro do container. E lá tem ficado, desde então.

Naquela madrugada, notei uma pessoa atônita, sem saber se de fato havia se tornado um homem “comum”, ou se ainda poderia se considerar um artista. Ele ficava de pé algumas vezes, dava alguns passos e olhava para as pessoas ao seu redor, como se apostasse consigo mesmo se seria reconhecido. Nada tendo acontecido, sentou-se e foi usar o computador. Não demorou muito, apareceram duas crianças (trazidas pelo pai, que certamente alcançou o auge do músico baiano) para lhe pedir autógrafos, e prontamente foram atendidas com um sorriso no rosto.

Daí a pouco, um rapaz alto e musculoso apareceu e sentou do lado do cantor. Provavelmente era seu segurança. Os dois começaram a conversar, e, contando o que acabara de acontecer, Netinho fez o sinal de “2”, com as mãos, como se comemorasse o fato de pelo menos ali, não ser um total anônimo.

Por um instante, me compadeci de sua situação, e pensei comigo o quanto deve ser estranho para alguém que já experimentou ser exaltado país afora, hoje, mal ser notado. Mas, questionei-me também a razão do esquecimento. Afinal, que tipo de carreira é essa, feita visando apenas fama e paradas de sucesso? Se a gente não se preocupa em dizer nada para as pessoas, elas também não se importarão em ouvir. E assim, “artistas” como Netinho (e tantos outros) vão se tornando seres descartáveis, ou quem sabe, feito produtos em conserva. Usados e esquecidos conforme a chegada do próximo, que vem com uma embalagem reformulada, mas, com data próxima a ser jogado fora outra vez.



Um comentário:

  1. noooooooossa, Teff! Muito boa a sua reflexão! Incluindo a crítica ao insuportável do BBB e a forma como vc conduziu até o Netinho. Não nego que me compadeci dele tbm, por um momento. Pena que ngm falou a ele que melhor que experimentar o paraíso e ser lançado à terra, sem direito a para-quedas, é permanecer com os pés firmes, na realidade... E fazer dela o mote pra coisas extraordinárias.
    Adorei o post :*

    (eu gostava de Milla :((()

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